A violência está cada dia mais próxima e presente em nossas vidas. Ontem ao chegar no Terminal Sacomã na zona sul, por volta das 23:00 horas, fui informada de que não haveria ônibus que eu pudesse ir para casa. Motivo: Um protesto de moradores da favela de Heliópolis devido à morte de uma adolescente da comunidade.
Na noite da última segunda-feira, 31, Ana Cristina de Macedo, 17 anos, foi atingida por uma bala perdida durante uma troca de tiros entre ladrões e agentes da Guarda Civil Municipal de São Caetano do Sul. Ana não resistiu ao ferimento e morreu no local.
Não se sabe ao certo de onde partiu o tiro que acertou a cabeça da jovem que voltava da escola no momento do confronto. Mesmo assim, os moradores resolveram protestar. Foram distribuídos bilhetes aos habitantes da comunidade prometendo uma cesta básica a quem aderisse ao protesto.
Pois bem, por volta das 18:00 horas desta terça-feira, 01, começou a manifestação. Os moradores iniciaram as atitudes de vandalismo. Incendiaram ônibus e carros e trocaram tiros com Policiais Militares. Por conta disso, todas as vias que pudessem dar acesso à favela foram interditadas. As linhas da SP Trans e da EMTU que tinham em seu itinerário alguma rua próxima a Heliópolis tiveram que recolher seus ônibus, já que os manifestantes ameaçavam incendiar todos os coletivos que passassem na região durante a manifestação.
Enquanto a favela mais parecia um cenário de guerra, a poucos metros dali, era velado o corpo de Ana Cristina.
Mais uma vez a população foi prejudicada. Eram dezenas de pessoas no Terminal sem saber o que fazer, se iriam ou não chegar em casa após um dia inteiro de trabalho. Os que tinham a quem recorrer pediram que alguém os viessem buscar. Mas outros, sem alternativa, precisaram ir a pé e muitos nem conseguiram entrar em casa.
Até mesmo os que não moram na favela, como eu, foram afetados com a violência
Eu não sou contra protestos e manifestações. Até acho que as pessoas devem correr atrás dos seus direitos, mas desde que isso não prejudique a população que nada tem haver com este tipo de acontecimento. Aliás, na minha opinião, o que aconteceu ontem em Heliópolis não é forma de protesto e nem manifestação. Para mim isso é pura violência e vandalismo. Só espero que um dia as pessoas se deem conta de que violência não se resolve com violência e aprendam a solucionar os problemas de maneira correta.
E fica aqui a indignação de uma cidadã paulistana que dormiu ao som de helicópteros que sobrevoavam a região!